OAB/SC emite nota de repúdio a desembargador que fez um xingamento em sessão do TRT-12

José Manzi não percebeu o microfone ligado e interrompeu a fala de uma desembargadora

Por Redação Agora Joinville 31/07/2020 - 10:08 hs
Foto: Foto: Reprodução

Durante uma sessão vitual da 3ª câmara do TRT da 12ª região, ocorrida nessa quarta-feira (29), o desembargador José Manzi interrompeu a fala da desembargadora Quézia Gonzalez dizendo "faz essa carinha de filha da puta que você já vai...", imediatamente ele cobre a boca e desliga o microfone. A sessão seguiu normalmente após o ocorrido. 

A fala do desembargador acontece depois de três horas e trinta e quatro minutos de reunião. Confira no vídeo abaixo:

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), junto com o Instituto dos Advogados de Santa Catarina (IASC) e a Associação Catarinense dos Advogados Trabalhistas (ACAT/SC) emitiu uma nota de repúdio contra Manzi e pediu um posicionamento. Confira na íntegra:

A Ordem dos Advogados do Brasil, por meio da Seccional de Santa Catarina e de suas Comissões de Direito do Trabalho, de Direito Sindical, e da Subseção de Joinville, juntamente com o Instituto dos Advogados de Santa Catarina (IASC) e a Associação Catarinense dos Advogados Trabalhistas (ACAT/SC), emitem a presente NOTA CONJUNTA DE REPÚDIO, por conta do ocorrido na sessão virtual de julgamento da 3ª Câmara do TRT da 12ª Região (TRT-SC), do dia 29/07/2020 (disponível neste link: https://youtu.be/34PinyyVo2c, trecho do ponto de 3h34min).

O desembargador presidente da Sessão, José Ernesto Manzi, em meio ao julgamento de recurso, proferiu palavras de baixo calão a uma advogada de Joinville durante a sustentação oral realizada pela mesma.

Trata-se de conduta inapropriada, que viola o dever de urbanidade do magistrado, previsto no art. 35, IV, da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Lei Complementar 35/79), e o parágrafo único do art. 6º do Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil (Lei 8906/94).

As instituições que em conjunto firmam a presente nota repudiam esta conduta, por atentar contra a atuação da advocacia e violar suas prerrogativas, expondo a classe e a magistratura ao vexame público.

As entidades signatárias solidarizam-se com a advogada Roberta Martins Marinho Vianna Neves, de Joinville, e tomarão as medidas cabíveis em relação ao incidente que, veiculado nas redes sociais, repercutiu negativamente perante a comunidade jurídica e toda a sociedade. A OAB/SC já oficiou o magistrado para que este se pronuncie sobre o ocorrido.