Polícia Civil começa a elucidar assalto no Aeroporto Quero-Quero, em Blumenau

Foram identificadas e indiciadas oito pessoas pelo roubo. Grupo investiu R$ 800 mil para viabilizar a ação

Foto: Murici Balbinot / Rede Catarinense Notícias

A Polícia Civil de Santa Catarina apresentou na manhã desta segunda-feira (13) os primeiros resultados da investigação sobre o roubo de R$ 9,8 milhões no Aeroporto Quero-Quero, em Blumenau, ocorrido em 14 de março de 2019. O inquérito da Operação Aeroporto 1 tem mais de mil páginas e deve ser concluído nos próximos dias. Segundo a Polícia, haverá uma operação Aeroporto 2 e, se necessário, uma operação Aeroporto 3. O caso é tratado como o maior roubo da história do Estado. 

Até agora, a Polícia identificou indiciou a  participação de oito pessoas - cinco delas já estão presas e outras três estão "em vias de prisão", segundo a Polícia. O líder do grupo, que arquitetou a ação, já está preso desde novembro. Ele foi capturado no Ceará, pela Polícia Federal, com a suspeita de estar planejando um novo ataque. Dos oito indiciados, quatro tem origem em São Paulo e participaram ativamente do roubo, na pista do Aeroporto. 

Um dos delegados responsáveis, Anselmo Cruz, da Diretoria Estadual de Investigação Criminal (Deic), diz que o mentor é o mesmo do assalto no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, que resultou no roubo de cerca de R$ 30 milhões de uma empresa de valores em outubro passado, com método semelhante ao que ocorreu em Blumenau. Cruz não descarta a participação de alguns criminosos também na participação do roubo de 720 kg de ouro no Aeroporto de Guarulhos, em julho de 2019, apesar de confirmar que o mentor não é o mesmo. 

Entre os presos, está um vigilante da empresa de valores que atuava em Blumenau. Segundo a Polícia, o agente não tinha antecedentes criminais, era tido como idôneo, mas foi assediado pelos bandidos. No inquérito, a Polícia traz evidências concretas da participação dele auxiliando os criminosos. "Um dos alvos da operação agora foi um funcionário da empresa de valores, que trabalhava como vigilante também. Desde setembro de 2018 vinha mantendo contato com integrantes da quadrilha repassando informações sobre a movimentação da empresa", disse o delegado. Ele já está preso.

Apesar da identificação de alguns dos autores e apreensão de veículos, a grande parte do dinheiro não foi recuperada. A Polícia encontrou R$ 18 mil em um imóvel em Itajaí algumas semanas após o assalto. O montante restante, segundo a Deic, foi transportado para São Paulo, estado de origem de parte dos assaltantes.


"Roteiro cinematográfico"

Segundo Cruz, o plano de fuga dos bandidos é "digna de um roteiro cinematográfico". A Polícia identificou que o dinheiro foi transportado para o Sudeste em um caminhão de lixo particular comprado pela quadrilha. O veículo foi carregado - com dinheiro e armas - horas após do roubo, em Itajaí. Possivelmente, o mesmo caminhão foi usado em Viracopos, em um plano de fuga semelhante. 

Além disso, outros indícios apontam para um esquema planejado com muita inteligência e recursos. A estimativa da Polícia Civil é de que o grupo investiu cerca de R$ 800 mil para realizar o assalto.

Foram utilizados pelo menos seis imóveis, seis veículos, oito fuzis AK-47, e uma metralhadora .50. O roubo começou a ser planejado em agosto ou setembro de 2018. Um dos locais utilizado pelos bandidos era uma casa em Blumenau com ampla visão para a pista do Aeroporto. De lá, os criminosos gravavam a rotina do terminal com equipamentos profissionais de filmagem. 

Segundo a Polícia, um roubo planejado em sete meses exigiu muito trabalho e prazo longo para apresentação de resultados. "Um assalto com envolvimento de pelos menos 15 pessoas, seis imóveis, com sete meses de preparação, a Polícia também precisa de tempo", disse Cruz.  


Núcleos

A Polícia trabalha com três núcleos diferentes dentro da quadrilha. Além do núcleo de participantes ativos do assalto, há aqueles que deram suporte. "Um grupo é responsável pela prática de estelionatos, porque ninguém aluga uma casa, compra um carro, sendo um criminosos, ainda mais sendo um criminoso procurado, com seus próprios dados. Esse tipo de ação criminosa tem toda uma estrutura de estelionatários responsáveis pela logística", afirmou o delegado. O terceiro núcleo é composto pelo vigilante da empresa, com comprovada participação. 


Vítimas

A ação de março terminou com três vítimas. Uma jovem de 22 anos, que trabalhava em uma empresa próxima ao terminal, foi atingida por um disparo de fuzil AK-47. Segundo a investigação, o tiro atravessou uma parede, ricocheteou em uma viga, e a atingiu pelas costas.

Além dela, dois vigilantes da empresa de transporte de valores, que estavam dentro de um carro-forte, foram feridos gravemente nas pernas e ficarão com sequelas permanentes. Eles foram atingidos pela metralhadora .50. 


Aeroporto 2

A Polícia Civil já prevê a sequência das investigações. "Nós temos ao encerramento deste inquérito nos próximos dias a abertura de um segundo inquérito e a continuidade de outras diligências para alcançarmos os outros envolvidos. O nome da operação é Aeroporto 1. Nós já sabemos, nós teremos, Aeroporto 2, e talvez, Aeroporto 3", disse Cruz.