30/10/2021 às 08h53min - Atualizada em 30/10/2021 às 08h53min

Número de internações de pessoas com menos de 40 anos por infarto cresce 59% no Brasil em uma década

Dados do Ministério da Saúde apontam que as mortes por esse motivo aumentaram 9% entre 2010 e 2019

Redação Agora Joinville
Marina Melz
Foto: Divulgação
A atenção com a saúde do coração não deve ter idade. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde esta semana comprovam isso: entre 2010 e 2019 o número de internações de pessoas com menos de 40 anos por infarto cresceram 59% no Brasil. O volume de mortes na faixa etária aumentou 9%. 

O cardiologista Marcelo José Linhares, da Cardioprime, centro especializado em saúde cardiovascular de Blumenau (SC), comenta que o número de pessoas jovens chegando aos consultórios com fatores de risco acentuados é crescente e reflete o levantamento. "Diferentemente de outras doenças onde a hereditariedade é predominante entre os sinais de alerta, as doenças cardiovasculares têm, além dela, complicadores importantes que estão relacionados ao estilo de vida das pessoas. O ambiente competitivo e a fase da vida em que os pacientes estão tornam estresse, má alimentação e sedentarismo uma combinação especialmente perigosa", conta. 

Outros agravantes, de acordo com Marcelo, são a ausência de monitoramento e a dependência de sintomas para buscar ajuda. "A displicência com checkups regulares simples, como medir a pressão ou realizar exames de colesterol e glicemia, dificulta qualquer ação de contenção. Por outro lado, os sintomas do infarto são difusos e confundidos com outras possíveis questões, o que também leva a uma demora em procurar um posto de atendimento", comenta. 

A dor no peito, que é o mais conhecido sinal de infarto, é apenas um dos possíveis fatores. Pode estar associada ou não com dores no abdômen ou pescoço, falta de ar, mal-estar, sudorese, fadiga e náusea. Ao sentir qualquer um destes sintomas, a indicação é procurar um médico imediatamente. 

Fatores de risco estão em crescimento (e preocupam)
Se os números do passado trazem preocupações, a análise do atual contexto para projetar o futuro corroboram com o sinal de alerta, especialmente no que diz respeito aos fatores de vida conectados aos hábitos das pessoas. 

Temos, por exemplo, o maior índice de obesidade dos últimos treze anos de acordo com o Ministério da Saúde: 19,8% da população. No mesmo período de tempo, cresceu em 40% o número de diabéticos. O tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas também aumentaram especialmente nos meses de pandemia, assim como o sedentarismo potencializado pelo distanciamento social. O estresse e a ansiedade também preocupam os especialistas e estão numa crescente na última década. 

Marcelo explica que o grande trabalho que está sendo realizado pelos profissionais da cardiologia é a conscientização sobre um olhar global para os hábitos dos pacientes. "As decisões que as pessoas tomam todos os dias moldam o seu risco de serem acometidas por um infarto. Costumamos dizer que cuidar das questões cardiovasculares é cuidar da saúde. E isso deve ser prioridade para que falemos menos em doenças", finaliza. 

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