31/05/2021 às 08h29min - Atualizada em 31/05/2021 às 08h29min

Secretaria da Saúde acompanha caso suspeito de mucormicose em Joinville

Entenda como pode acontecer a infecção

Redação Agora Joinville
Getty Images
Nesse sábado (29), o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) do Ministério da Saúde emitiu uma Comunicação de Risco sobre um provável caso de mucormicose (conhecido como fungo negro) em um paciente imunodeprimido de Joinville. A situação estava sendo acompanhada pela equipe da Vigilância em Saúde desde que foi cogitada a hipótese do diagnóstico.

O caso é de um homem, de 52 anos, morador da Zona Norte, com histórico de comorbidades (diabetes mellitus e artrite reumatoide).  Segundo a prefeitura, no dia 20/2, ele apresentou sintomas gripais e realizou o teste de antígeno no dia 23/2, confirmando o diagnóstico para Covid-19.

Em 19/3, em função de fraqueza generalizada relacionada com a Covid-19, foi internado em um hospital da rede particular. Teve alta em 4/4, com melhora geral do quadro de saúde.

Por ter apresentado cetoacidose diabética, que é uma complicação relacionada com a diabetes, o paciente teve uma celulite facial, que prejudicou parcialmente a acuidade visual. 

Por este motivo, iniciou imediatamente acompanhamento com médico especialista. Ele foi internado novamente em 21/5 para realização de procedimento cirúrgico, que foi feito em 26/5. 

Atualmente, o paciente segue internado em unidade hospitalar particular, com monitoramento constante da Secretaria Municipal da Saúde, por meio da equipe da Vigilância em Saúde. As informações seguem sendo compartilhadas com o Ministério da Saúde e com a Secretaria de Estado da Saúde.

Mucormicose

O termo fungo negro é popularmente utilizado para se referir à mucormicose, uma infecção causada por um fungo da classe Zygomycetes e ordem Mucorales. É considerada uma infecção fúngica grave e rara, originária de microrganismos que vivem em diversos ambientes, particularmente no solo com matéria orgânica em decomposição, como folhas, adubo ou madeira.

A mucormicose é contraída por pessoas que entram em contato com os esporos fúngicos. Indivíduos diabéticos, com doenças oncohematológicas ou que utilizam medicamentos imunossupressores são mais suscetíveis à contaminação.

Há cinco formas possíveis da manifestação da doença: sinusal/cerebral, pulmonar, gastrointestinal, cutânea ou disseminada. Os sintomas mais comuns são dores súbitas, que evoluem para lesões localizadas. 

Em casos graves, a mucormicose pode evoluir para coma e óbito. A infecção, que geralmente se manifesta na pele, pode espalhar-se para outras partes do corpo. 

Geralmente, o tratamento é realizado com intervenção cirúrgica para remover os tecidos infectados ou mortos. Em alguns pacientes, a evolução da doença pode resultar na retirada de parte da mandíbula ou do olho.

Também há tratamento medicamentoso, que pode envolver um período de 4 a 6 semanas de terapia antifúngica intravenosa, dependendo do quadro clínico do paciente.

Em nível mundial, diversos estudos estão sendo realizados para verificar possíveis relações entre a mucormicose e pacientes com Covid-19, especialmente os que apresentam comorbidades e quadros imunodreprimidos.

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