11/05/2021 às 08h13min - Atualizada em 11/05/2021 às 17h52min

PSD é Napoleão em 2022

Prisco Paraíso
Presidente estadual do PSD, o deputado Milton Hobus tem dito que o partido dispõe de quatro nomes com vistas ao pleito majoritário estadual de 2022. Exclui-se da lista, citando Raimundo Colombo, ex-governador de dois mandatos, e Napoleão Bernardes, ex-prefeito de Blumenau, também por dois mandatos.

Até aí, tudo bem. Hobus, no entanto, passa do ponto quando cita os nomes de  João Rodrigues, prefeito de Chapecó, e de Adeliana Dal Pont, ex-prefeita de São José.

Não faz o menor sentido. Adeliana será candidata a deputada estadual em dobradinha com Marlene Fengler, que hoje tem assento na Alesc.

A parlamentar estadual, a seu turno, disputará a Câmara Federal depois de ter recebido o apoio da própria Adeliana em 2018.

Suicídio político

Já João Rodrigues, depois de todas as dificuldades enfrentadas, se tiver um mínimo de juízo, não vai nem cogitar a renúncia à prefeitura da maior cidade do Oeste em abril, com pouco mais de um ano de mandato, para se lançar numa aventura majoritária estadual.

Um nome

Convenhamos, o quadro pessedista é claro. Até porque, partido que tem quatro nomes para uma vaga não tem candidatura alguma. Essa que é a grande verdade. O partido tem um nome com possibilidades reais em 2022. É Napoleão Bernardes, que encarna renovação, tem competência e carisma.

Timing

Raimundo Colombo, por sua vez, já teve suas oportunidades, com sete anos como governador e quatro como senador. Se realmente deseja voltar aos mandatos, que dispute a Câmara Federal por exemplo.

Como segunda opção, o PSD teria o próprio Milton Hobus. Mas aí para uma composição e não para a cabeça de chapa.

Ponte para Gean

Ultimamente, um dos mantras que se ouve nos bastidores é a possível fusão entre o PSD e o DEM no contexto nacional. Trazendo essa hipótese para Santa Catarina, a realidade é que a única grande liderança do DEM no Estado é o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro. Essa parolagem em torno da fusão pode, ao final das contas, servir como pretexto para o próprio Gean deixar o DEM e migrar para o PSD, terceira maior catarinense. Sempre lembrando que o PSD, inclusive aqui em Santa Catarina, surgiu de uma dissidência do Democratas.

Erro de avaliação

O que se comprovaria que, ao sair do MDB, o alcaide florianopolitano escolheu mal seu novo partido. O DEM definha a olhos vistos, a começar pelo Rio de Janeiro, onde o prefeito Eduardo Paes (que, aliás, alistou-se no PSD) e o deputado Rodrigo Maia já desembarcaram.

Vários deputados federais estão avaliando seriamente seguir o mesmo rumo.

Pegando na mão

Neste contexto, só faria sentido mesmo a migração do prefeito para as hostes pessedistas. Este flerte já está virando namoro. Se vai dar em casamento, é outra história.

Mesmo que Gean assine ficha no PSD, o grande nome do partido para a eleição majoritária em 2022 é o de Napoleão Bernardes.

Isolamento da ilha

Não custa lembrar que de Florianópolis só saiu um governador no período pós-democratização. Esperidião Amin, que governou duas vezes, em intervalos bem distantes entre uma e outra gestão.

Futuro nebuloso

A grande verdade é que dificilmente a Capital elegerá novamente um governador. O restante do Estado vê Florianópolis como uma ilha da fantasia, que suga até o sangue dos trabalhadores das demais regiões (o que não é a realidade absoluta; diria parcial, mas é assim que se consolidou a imagem da Capital para o restante dos catarinenses).
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Prisco Paraíso

Prisco Paraíso

Comentarista Político

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