05/05/2022 às 09h11min - Atualizada em 05/05/2022 às 09h09min

Merisio, o canhoto

Gelson Merisio, o político que nas últimas décadas apresenta o menor recall dentre aqueles que chegaram ao segundo turno do pleito estadual na eleição anterior, pelo visto procura recuperar o tempo perdido.
Ele que enfrentou Moisés da Silva na grande final de 2018 pelo PSD e logo depois bateu em retirada. Até porque sua convivência com Raimundo Colombo e Julio Garcia não era nada proveitosa. Sem contar que Jorge Bornhausen, outro desafeto, sempre circulava nos bastidores do partido, o único caminho era sair do PSD.
O partido seguinte de Merisio foi o PSDB, onde ele se consolidou como o nome para a majoritária deste ano. De repente, não mais do que de repente, o ex-deputado bateu asas e deixou o ninho. De uma hora para outra. Sem mais nem menos. Alegou que após apoiar Eduardo Leite nas prévias ficou muito isolado e enfurecido no partido com a vitória de João Doria.
Lorota. Foi a JBS, conglomerado do qual ele é conselheiro independente, que o pressionou. Lula da Silva é muito ligado aos açougueiros que são os donos da companhia. Assim como Zé Dirceu.

Solidário

Nesta semana, Gelson Merisio marcou presença, ao lado de Décio Lima (PT), no evento do Solidariedade, seu novo partido, em São Paulo, quando a legenda hipotecou apoio ao ex-mito petista no plano nacional.

Nanicada

Lula conta com o PV e o PCdoB (numa federação); o PSOL (dividido), o Solidariedade e o PSB, que indicou o vice, o ex-tucano Geraldo Alckmin. A Rede também pode se associar ao consórcio da divindade petista.
Tirando o PSB, as outras legendas em torno do ex-sindicalista são absolutamente nanicos.

Tibieza

Ou seja, Lula da Silva não consegue agregar sequer um partido de maior representatividade em torno do seu projeto.

Sintonia

Noves fora esse aspecto, as imagens do evento do Solidariedade mostram Merisio e Décio bem atrás do lugar reservado a Lula da Silva. Ficou muito clara a sintonia entre os dois catarinenses e entre o neocanhoto Merisio e o ex-presidiário. Décio e Merisio têm tudo para estarem na chapa majoritária da frente esquerdista estadual.

Companheiros

Além dos dois, há Jorge Boeira, do PDT, ex-deputado federal. Ao trio, junta-se o senador Dário Berger, agora filiado ao PSB, egresso do MDB.

Três vagas

São quatro nomes para três vagas. A tendência, no entanto, é que Dário Berger sobre neste processo. A não ser que Jorge Boeira abra mão do seu espaço majoritário.

A reboque

E o PSB com fica? Ou aceita contrafeito essa construção apostando em candidaturas a deputado ou vai se lançar num projeto solo e praticamente suicida em Santa Catarina.

Baralho

Tudo leva a crer que Décio Lima vai estar na cabeça, concorrendo ao governo. O bom senso recomendaria que, visando a dar uma preservada no aspecto ideológico, Boeira compusesse de vice. Muito embora o pedetista já tenha sinalizado que deseja disputar a Câmara Alta.

Timing

A grande verdade, contudo, é que Gelson Merisio chegou primeiro na frente de esquerda enquanto Dário Berger ficou com um pé em cada canoa até o fim de março: MDB e PSB. Estratégia que pode lhe custar muito caro.

Padrinho

O ainda senador recorreu ao seu novo correligionário, Geraldo Alckmin, para tentar permanecer no jogo majoritário dos canhotos. Mas é evidente que, neste contexto, quem está com Lula da Silva (Décio e Merisio) tem mais musculatura interna do que quem está com Alckmin.

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Prisco Paraíso

Prisco Paraíso

Comentarista Político

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