01/12/2021 às 10h00min - Atualizada em 01/12/2021 às 10h00min

Candidatura artificial

Prisco Paraíso

O primeiro grande reflexo da vitória do paulista João Doria nas prévias do PSDB foi o anúncio de que o seu secretário de Turismo, Vinícius Lummertz, está se colocando como pré-candidato ao governo catarinense.

Apadrinhado, obviamente, pelo próprio Doria, que precisará de palanques estaduais para sua campanha presidencial. O chefe do Executivo paulista agora dá as cartas no tucanato depois da vitória nas prévias do partido, derrotando o jovem gaúcho Eduardo Leite.

Lummertz tem preparo intelectual, político e competência profissional. Não tem, contudo, nenhum apelo popular e muito menos experiência eleitoral.

Disputou apenas um pleito. Foi há 25 anos, quando tentou conquistar a prefeitura de Florianópolis. Em 1996, quando Angela Amin ganhou a eleição para o paço florianopolitano, Lummertz ficou apenas em quarto lugar, com 17,22% dos votos válidos.

Personalismo
Vinícius Lummertz também não tem ascensão e liderança dentro do partido. É um projeto que vem de cima, no melhor estilo goela-abaixo.

O que leva a coluna a cravar que o projeto é para uma composição com o nome de Vinicius Lummertz de vice. A conferir!

Efeito colateral
Já o primeiro efeito colateral imediato da vitória de Doria é o ostracismo de Gelson Merisio, que chegou ao segundo turno no último pleito estadual. Depois de deixar o PSD, filiou-se ao PSDB imaginando que estaria no jogo majoritário. O clima nunca foi muito favorável a esta ideia dentro do ninho, onde Merisio não tem história e também não tem liderança natural.

Passos atrás
O resultado das prévias sepultou qualquer perspectiva de Gelson Merisio ser protagonista no tucanato local. Terá que trabalhar muito se quiser se eleger deputado novamente. Ou mudar de partido. Como as principais legendas estão ocupadas e até congestionadas, Merisio é hoje carta fora do baralho majoritário barriga-verde.

Sulistas ilhados
Lideranças legítimas e com força eleitoral e apelo popular hoje no PSDB habitam uma ilha partidária no Sul, mais precisamente em Criciúma, além do jaraguaense Vicente Caropreso, tucano da gema. A aposta do partido, se for essa mesma, em Vinícius Lummertz, tem tudo para ser mais um belo tiro no pé. O PSDB de Santa Catarina é uma legenda média, mas parece flertar com um futuro apequenado.

Flerte
Rendeu mais uma onda de especulações a agenda do presidente estadual do MDB, deputado federal Celso Maldaner, acompanhado da esposa, da cunhada e de sobrinhas, ao governador Moisés da Silva. A presença do secretário da Casa Civil, Eron Giordani, assegura alguns vazamentos direcionados e seletivos sobre o que realmente se passou na conversa reservada. Moisés da Silva, não é segredo para ninguém, encontra-se numa sinuca de bico partidária.

Despreparo
Não soube acomodar os egos e os despreparos no PSL, partido que já deixou. Sonhando com a reeleição, o governador tenta cada vez mais cercar o MDB.

É uma empreitada difícil. Hoje parece muito mais evidente que partidos como MDB e PSD, assim como o próprio PP, vão segurar até o limite das desincompatibilizações com vistas ao pleito de 2022 para pularem fora e deixarem Moisés a ver navios!

Em tempo
No Brasil, bandido bom é bandido solto!

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Prisco Paraíso

Prisco Paraíso

Comentarista Político

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