04/02/2021 às 11h06min - Atualizada em 04/02/2021 às 11h01min

Vampiro, o convicto!

Prisco Paraíso
AJ
Assunto recorrente, e motivo de chacota, nos corredores do Poder Judiciário de Santa Catarina, é a "convicção" do deputado Luiz Fernando Vampiro, anunciado como novo secretário de Estado da Educação.

Há pouco mais de três meses, no dia 23 de outubro de 2020, o parlamentar foi contundente em sua manifestação a favor do impeachment de Moisés da Silva, atual inquilino da Casa d'Agronômica. Falou em crime e conluio, detonando o chefe do Executivo. O emedebista fez parte do Tribunal Especial de julgamento sobre o pedido, arquivado no final do ano passado. Aquele colegiado foi formado por deputados e desembargadores.

Já no fim de janeiro de 2021, Vampiro aceitou o convite do mesmo governador, que ele crucificara ali atrás, para integrar o Colegiado e numa das pastas mais importantes e estratégicas da estrutura estadual.

Tempo ao tempo

Talvez resida aí a explicação para a demora entre o convite, começo de janeiro, e o aceite Vampiro, quase um mês depois. Ele não estaria avaliando o convite durante este tempo, ao que tudo indica, estava mesmo envergonhado por mudar tão radicalmente de "convicção" tão pouco tempo depois.

A vontade de trair

O icônico Tancredo Neves, o presidente eleito que nunca assumiu o posto máximo do país, cunhou várias frases. Uma das mais célebres dizia que "o voto secreto gera uma vontade danada de trair." Diferentemente do regimento interno da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, que estabelece voto aberto e nominal para suas eleições internas, na Câmara e no Senado o voto é secreto.

Caldeirão

Não por acaso, as horas que antecedem os pleitos que definem os novos presidentes da Câmara e do Senado costumam ser efervescentes. Este ano, não foi diferente. A temperatura subiu muito. E o peso do bloco governista ganhou inúmeras adesões de última hora, que levaram Arthur Lira, na Câmara, a contabilizar 302 votos.

No placar de Santa Catarina, medido pelos bastidores, dias antes da eleição, o jogo estava equilibradíssimo: 8 a 7 para Lira contra Baleia Rossi, que foi o segundo colocado, mas com votação bem menor do que o esperado após a finalização do pleito: 145.

Mistério

Como os votos são secretos, jamais poderemos saber, com toda certeza, quem votou em quem. É possível, contudo, se ter uma ideia pelas declarações de votos feitas pelos próprios parlamentares.

Voto declarado

Entre os catarinenses, oito abriram voto em favor de Arthur Lira (Geovania de Sá, Caroline De Toni, Angela Amin, Coronel Armando, Daniel Freitas, Darci de Matos, Ricardo Guidi e Hélio Costa) e somente dois, emedebistas (Carlos Chiodini e Celso Maldaner), apoiaram Baleia Rossi. Outros cinco parlamentares invocaram o sacrossanto direito de ficarem calados e não tornaram públicas suas escolhas: Carmen Zanotto , Pedro Uczai, Fábio Schiochet, Rogério Peninha Mendonça e Rodrigo Coelho.

Pá de cal

O Supremo Tribunal Federal (STF) reconsiderou a decisão proferida em abril de 2020 que dava competência para a Justiça Federal decidir sobre o caso Alex Santore e, com isso, restabeleceu os efeitos das decisões da Justiça Estadual catarinense que anularam a sua posse como desembargador no Tribunal de Justiça de Santa Catarina. A reconsideração ocorreu em decisão do próprio relator, Ministro Edson Fachin, que antes havia acolhido o recurso extraordinário interposto por Santore, contestado pela OAB/SC e pelo Estado de Santa Catarina. A decisão está publicada no Diário da Justiça de ontem.
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Prisco Paraíso

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