08/07/2021 às 08h25min - Atualizada em 08/07/2021 às 08h24min

Merisio, o coadjuvante

Prisco Paraíso
Historicamente, em Santa Catarina, quem disputa uma eleição e vai para o segundo turno acaba se viabilizando eleitoralmente mais adiante. É fato na história recente da política Barriga-Verde.

Senão, vejamos. Em 1986, Vilson Kleinübing acabou ameaçando o franco favorito, Pedro Ivo Campos. O emedebista foi eleito. Kleinübing, apesar da derrota, fez grande votação em Blumenau, cidade onde emplacou como prefeito dois anos depois.
Mais dois anos se passaram e ele foi eleito governador, em 1990.
Outro caso. Paulo Afonso Vieira foi candidato em 1990, desta vez com Kleinübing no papel de favorito. O emedebista perdeu o pleito, mas chegou lá em 1994.
Ano no qual Angela Amin tinha em mãos uma eleição imperdível. Mas perdeu! Dois anos depois, no entanto, ela conquistou a prefeitura da Capital, sendo reeleita em 2000.

Século 21
Já neste século, houve um ciclo diferenciado, com Luiz Henrique da Silveira e Raimundo Colombo carimbando as reeleições.
Ciclo interrompido em 2018 com a vitória de Moisés da Silva. Justamente sobre o ex-deputado Geson Merisio, o grande artificie do esfacelamento da tríplice aliança (MDB, PSD e PSDB).

Força da máquina
Ele chegou ao segundo turno, apesar da derrota acachapante. Ficou, contudo, muito apagado nestes dois anos e meio. O que só comprovou que sua força estava na presidência da Alesc, cargo que ocupou por cinco anos; e na presença do cunhado, Antônio Gavazzoni, na Secretaria da Fazenda.

Goela-abaixo
Foi neste contexto que Gelson Merisio impôs sua candidatura pelo PSD. Contra, inclusive, a vontade de Raimundo Colombo, governador à época, e que queria a renovação do contrato com o MDB.

Na estrada
Resultado. Gelson Merisio ficou sem mandato, Gavazzoni saiu da Fazenda, ele não tem mais a Alesc nas mãos e simplesmente se esvaziou. Murchou. Diferentemente dos outros personagens contextualizados aqui, Merisio terá muita dificuldade para se viabilizar em 2022.

Instrumentação
Sua candidatura em 2018 não foi respaldada pelo carisma, pela popularidade, e sim pelos instrumentos e ferramentas, poderosos, que estavam à disposição do ex-deputado.

Quinteto
Hoje, Geslon Merisio é coadjuvante no cenário estadual. Assim como outras figuras conhecidas: Napoleão Bernardes, Joares Ponticelli, Clésio Salvaro, Gean Loureiro e por aí vai.

Tripé
Protagonistas no jogo atual há somente três: Moisés da Silva, que ao natural é candidato à reeleição, apesar dos desgastes que sofreu; Jorginho Mello, por contar com a simpatia de Jair Bolsonaro; e Antídio Lunelli, do MDB, que apesar de estar numa disputa interna em seu partido, é o melhor perfil com vistas à disputa de 2022.

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